Voltei a publicar

Voltei a publicar
Escrever no blog abrigo
As minhas canções de amigo
Tempo traz mudança e vento
E esperança
E inspiração
Que acompanha
O pulsar do coração

Nunca deixei de escrever
Nem de sonhar ou desejar
Apenas me recolhi
Para entender
Para esperar
Para acolher e receber
Me transformar

e tudo mudou tanto e em tão pouco tempo
Saturno, este senhor louco, regente dos meus intentos

Uma vez que ele me abrira
Sua casa e coração
Eu aceitei
Lhe dei a mão
E abri-lhe as asas
Pois o que outrora era só imaginação
Agora é algo
Tão tangível e notório
Que ultrapassa
O limite de uma canção

Ainda sem nome

Certas coisas e situações existem e nos modificam (para sempre) ainda que não tenham nome. Ainda que não façam muito sentido, que sejam inesperadas, e , nem por isso, sejam muito bem-vindas.

Tenho escrito muito e publicado pouco. Talvez reflexo deste momento sem nome, em que de forma tão inusitada celebro a vida. Aprendi tantas tantas novas palavras e ressignifiquei outras mais. Descobri que foram os portugueses que inventaram a saudade e os brasileiros é que ditam o ritmo. Dois corações sonhando com seus além-mares. Muitos ventos, um destino.

Nesta fase em que me recolho aos voos de pensamento, ao registro a lápis escrito, opto por dar um tempo… Por alguns momentos, dias ou semanas, ainda não o sei, vou reservar meus escritos para as folhas dos meus cadernos.

Àqueles que visitam este espaço deixo um até breve. Eu volto, com novidades. Quando, só o destino sabe…

Outro Setembro

Alguém perguntou porque todo mundo está saudando setembro. O que tem de especial neste mês para ser tão celebrado assim? É que em setembro acaba o inverno, o ano não acabou mas o pior já passou. Ainda há tempo de fazer nova história, terminar o que se planeja, inventar outros meios e outros fins. É a primavera que chega, o feriado depois de tantos meses “na seca”, é o eclipse no céu neste 2015. São as datas especiais biográficas, o dia de Francisco de Assis, a festa de Erês, o Cosme e Damião. É tempo de lembrar que o Natal está chegando, mas ainda falta um bocado, dá tempo de começar tudo outra vez. Depois de dois longos meses de 31 dias, setembro chega com leveza e frescor, todo primaveril, cheio de noivas e, mais do que promessas, cheio de sementes de amor desabrochando em encontros e em flor.

Ela varre

Ela varre o chão com capricho
Pano molhado, poeira do piso
Retira, cansada, jornada comprida
Limpa a escada, varre o caminho
Por onde passam abnegados doutores
Estudantes apressados
Pesquisadores
A moça da faxina da universidade
Limpando caminhos
Lustrando degraus
Por ela, eles passam e nem se atinam
Tão ocupados, sequer um bom dia
Provas, projetos, sequer imaginam
Que a moça faz parte da tal estatística
da tal sociedade que tanto pesquisam
e por ela produzem brilhantes artigos
Talvez se soubessem onde mora a menina
Que varre a escada, deixa o chão um brilho
Que limpa a privada, que sozinha suspira
Depois de um dia, outro ônibus lotado
Talvez se soubessem que ela suspira
E sonha, e ri, que não é invisível
Os sábios doutores reveriam seus artigos
De prima necessidade, refariam projetos
Seriam um pouco, nem que fosse um tantinho
Mais plenos e felizes

Na estante

Minha estante coleciona instantes: os livros que comprei e encontrei. Os que me escolheram e os que eu escolhi. Frases, dedicatórias, poemas de noites enluaradas, linhas desconhecidas, capítulos encerrados, trechos conhecidos e decorados, outros que não voltarão jamais. Misturam-se cds e dvds e muitas páginas de escritos. As imagens, as miragens. Bibelôs de alma delicada que é a minha, ainda que por vezes oculta e protegida por um aparente ferro. Caixas , incensos e segredos. Estante onde moram meus apegos, meus instantes prediletos, minha janela para o mundo dentro do quarto-reino.

Ele fala

Ás vezes eu não entendo o que ele fala
Fico sem jeito de pedir para repetir
Ouço mil vezes até entender

Eu me surpreendo com o que ele fala

Em seu peculiar bom português

Falando em uma única frase

De amor  e de esperança

Da alegria que se fez

Um pequeno gesto. Sua fala é bondade

Ainda que eu não entenda quando ele fala

Fala tão rápido, com tanto sotaque

Ainda que não entenda nem saiba

Como é que ele me entende

E fala de um jeito

Que me deixa a vontade

E fala de amor, de esperança, trabalho

Pequenas conquistas do seu diário

Fala comigo com tanta doçura

Que eu me distraio e não entendo outra vez…

Tempo que voa

O tempo passou voando, amiúde disséssemos que não
e tentássemos contê-lo com nossos sonhos
Ou ignorá-lo com nossas mãos
Mãos tão laboriosas
Passou voando desde o dia em que uma escolha foi feita
E os olhos castanhos da menina brilharam ainda mais
Duas estrelas
Foi escolhida porque sua alma era feita de céu
Ainda que já conhecesse tristeza
Mas possuía uma intensidade tão serena
Que nem sei explicar como era
E entender o quanto éramos afins
Ao longo dos anos a escolha se refez
Traçou-se rota alternativa (quem o diria?)
Numa tarde, eu te disse: siga
Porque a graça da escolha e de toda pessoa que tem asas na alma
é poder ter acolhida
e saber dizer adeus
ainda quando a alma diga “fique”
Sempre fica em nós um pouco do que o outro ganhou e nos deu
Coração muitas vezes se põe em festa
refestela-se em chãos de estrelas feitos de doces palavras,
se desperta, despedaça- se, se integra
põe-se em espera e tudo muda, mas alguns lugares nele
ainda são perenes
ainda que se aquietem
E os anos passaram voando
Como milhões de horas e escolhas e caminhos
E o verde dos teus olhos que desta cor não eram
Viram outros horizontes
Trilharam outros destinos
Se espalhou na plantação de outros sonhos
(lembrando a canção de solo agreste
porém árido nunca foi nem o teu nem o meu coração)
E hoje, muitos dias e idas e vindas
daquela tarde feita de escolhas
daquela outra tarde com gosto de despedida
ainda me encanto com teu sorriso
ainda sonho um pouco seus sonhos
e te desejo, de alma e prece, sem pressa
e com carinho
Que brilhe, brilhe intensamente
E que seja abençoado o seu caminho.

(para Tay F.)